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Nova relação de empresas vira o Clube de Permuta

Nova relação de empresas vira o Clube de Permuta

O Clube de Permuta aposta no relacionamento como ferramenta de impulsão para empresas. A iniciativa chega a Brasília no próximo dia 15, por meio de uma franquia, e seu fundador, Leonardo Bortoletto, prospecta engajamento dos empreendedores do DF para expandir a rede de 431 associados pelo Brasil.
“É uma maneira que as empresas tem para fazer trocas multilaterais”, enaltece Bortoletto. “Isso quer dizer que, se uma empresa X está pegando serviço ou produto da Y, ela não é obrigada a pegar algo de volta dessa empresa X. Ela pode comprar algo de qualquer outro associado, e isso é possível por meio de um sistema de compensação de crédito”, explica.
As negociações não envolvem dinheiro, permitindo às companhias trocar matéria-prima por serviços e criar alianças com fornecedores e distribuidores, visando a expandir a rede de relacionamento.
A ideia de criar o clube foi colocada em prática em 2012, quando Bortoletto, dono de uma empresa de tecnologia, envolveu seus amigos nos esquemas de permuta que já praticava. “Por exemplo, eu prestava um serviço que custava 100 mil reais, mas eu só conseguia pegar de volta serviços ou produtos no valor de 40 mil ou até 70 mil da empresa que me contratou. Eu recebia créditos dessas sobras e comecei a passar esses créditos para outros empresários amigos meus. Eles ganhavam descontos para comprar comigo em vez de ir direto no fornecedor. Foi aí que percebi que havia condições de fazer isso profissionalmente”, revela.
Assim, a Clube de Permuta surgiu, primeiramente, em Belo Horizonte (MG) e depois em outras cinco cidades antes de chegar ao DF.
Saiba mais
• Cada associado paga uma anuidade para fazer parte do Clube, que também tem direito a 10% sobre cada transação.
• O investimento inicial para a criação da franquia em Brasília foi de R$ 350 mil, que devem ser retornados em 18 meses, conforme previsão do próprio Clube.
• A expectativa de faturamento da franquia é de R$ 1,2 milhão depois de 24 meses de plataforma em funcionamento. Isso significaria um crescimento de 140% em relação ao esperado no primeiro ano.
O diferencial em relação a outras negociações do tipo é justamente a possibilidade de trocas multilaterais entre os associados. Para o dono da Saza Móveis, Rafael Mendes, 37 anos, esse é apenas um dos benefícios de fazer parte do clube.
“O bom gestor tem que trabalhar 24 horas para reduzir custo e aumentar rentabilidade. No clube, você já promove a redução de custo, porque todo mundo quer trocar serviços e produtos pagando em matéria-prima. Muitas vezes não precisa pagar de forma imediata”, elogia o empresário.
“Hoje a contabilidade da minha empresa é feita por alguém do clube, e hoje eu tenho alcance com outras empresas que talvez eu nunca fosse ter não fosse esse modelo de relacionamento”, complementa.
O modelo a que ele se refere são os almoços periódicos promovidos pelo presidente do clube em cada cidade.
Nesses encontros, os empresários são livres para abrir negociações e se tornarem mais conhecidos. Outra plataforma que permite o relacionamento é o site.
“O interesse em Belo Horizontefoi tão grande, que quando eu vi que ia abrir em Brasília eu já me mobilizei para levar a loja para aí também”, anima-se Mendes. Assim, ele deve ser um dos presentes no lançamento do Clube de Permutas Brasília, na próxima terça-feira, a partir do meio-dia, no ícone Parque.
Em 2016, as cinco franquias existentes contabilizavam 340 associados e movimentaram cerca de R$ 18 milhões em mais de 270 eventos promovidos ao longo do ano, conforme a assessoria do Clube.
Para 2017, a expectativa é elevar o valor movimentado em 90% e chegar a R$ 34 milhões. O valor seria quase metade de toda a quantia já agitada pela iniciativa desde 2012, portanto expectativas em alta.
Iniciativa chega agora a Brasília
A chegada do Clube de Permutas a Brasília será possível pelas mãos do advogado Francisco Nunes. Ele conta ter conhecido a ideia depois de apresentar um projeto de recuperação de crédito previdenciário em Belo Horizonte. “Encontrei um amigo meu que já fazia parte do clube há quatro anos. Achei fascinante e comecei a estudar a possibilidade de trazer isso para o DF”, conta.
Ele defende que o grande diferencial é o tipo de interação promovida, onde o foco é o relacionamento entre os associados muito mais do que qualquer ganho financeiro. “Os dois grandes benefícios são a diminuição do custo operacional da empresa e o fomento de seu produto ou serviço, pois vai atingir empresas que talvez nem conhecesse se ficasse de fora do Clube”, enumera Nunes.
Segundo ele, a expectativa é conseguir 100 associados nos próximos 12 meses e, até o final de 2017, aumentar o quadro em 60 novos integrantes. “Com o lançamento na semana que vem , isso deve se expandir ainda mais. Cada empresa que estiver dentro do clube vai querer trazer seus fornecedores e por aí vai”, acredita.
Ele explica que os famosos almoços devem ser recorrentes no DF. “Todo mês promovemos encontro dos sócios em um almoço e selecionamos outros empresários para conhecer o projeto. As negociações podem acontecer pelo site ou diretamente. Estimulamos o contato físico para fomentar o network e o conhecimento sobre novas oportunidades”, diz.
Em tempos de recessão econômica, iniciativas como o clube unem o empresariado, que aguarda estabilidade política e econômica no País para se reestabelecer. A união vai criar congolomerados que, se relacionando entre si, fomentarão uma gigantesca rede de relacionamento, capaz de aglutinar milhares de empreendedores sob um único mote.
É uma alternativa válida diante de tantas dificuldades tributárias e financeiras enfrentadas por empresários e prestadores de serviço.

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